by Max Barry

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by The Fake News of Jornal Tuga. . 65 reads.

Magazine Cecília – Edição Comemorativa Orpheu 10

Cecília, you’re breaking my heart, you’re shaking my confidence daily

Orpheu 10?

Que nome ultrapassado.

Quem somos nós, Ricardo Reis?

Bah, morte aos pseudo-helenistas.

Bebamos da nossa herança católica e elevemos um santo ao estatuto mais elevado que lhe podemos conceder: nome de revista, não fosse a Maria a mais vendida. Pesquisemos… Catarina de Bolonha dos Artistas, Francisco de Sales dos Escritores mas só Cecília, mártir da música tem a originalidade, e sonoridade, para encapar o nosso escrito. Seja. Para além do mais, nome de feminista! Cecília Meireles

Nesta especial edição da Cecília, em que celebramos a 10ª impressão da nossa revista, temos preparados diversos e variadíssimos tópicos, sempre na vanguarda da cultura e interesse público como é nosso mote. O mito que cativou e nomeou uma geração, um ponto – parcial, de diversas formas - da situação eclética do semestre, e uma análise sobre a justiça moral, prepara-te porque nunca viste nada assim.




Mas quem é Orpheu?
Órfão?
Orfeu?

A inspiração de tantos contemporâneos portugueses, desde Pessoa a Torga, passando também por Herya, a lenda de Orfeu transporta-nos para a mitologia de uma Grécia pré-austeridade num tempo imemorial. Filho do rei da Trácia e da musa da poesia épica Calíope (a quem Camões pede inspiração no Canto III da sua epopeia), o pequeno Orfeu foi desde novo doutrinado nas belas artes. Enquanto a mãe o ensinava a tecer doces poesias para encantar todos os objetos, o rapaz aprendia, diretamente de Apolo, a tocar a lira dourada que o Deus da Arte lhe dera.

A educação divina culminou no mais grandioso músico-poeta que a antiguidade alguma vez vira, cujas melodias conseguiam inverter o curso dos rios, atrair as pedras dos altos dos cumes montanhosos e encantar florestas inteiras. De facto, na famosa viagem dos argonautas (que precisará de um artigo completo por si só), foi o soar da música de Orfeu que abafou as vozes mágicas das sirenas - semelhantes às sereias mas metade mulher metade pássaro – que atraíam os marinheiros para os naufrágios, e permitiu o continuar seguro da travessia.

Mas de todas, a história que faz as campainhas soar quando se fala de Orfeu, é a do seu romance com Eurídice. Quando o par se preparava para casar, Himeneu, o deus do matrimónio, embora presente, não abençoara a cerimónia, mantendo uma expressão soturna estabelecendo um mau presságio. E de facto a tragédia acompanharia os pombinhos. O poeta Ovídio conta-nos como, num passeio com as suas amigas ninfas, Eurídice pisou um ninho de cobras, acabando por ser mordida e sucumbir às feridas.

Inicialmente inconsolável, Orfeu atreveu-se a ir onde nenhum outro fora antes e a resgatar a sua amada das margens do rio Styx (Linkcomo um renegado). Ao chegar ao submundo, e perante Hades e a sua mulher Perséfone, apelou ao amor e compaixão dos Deuses da morte pedindo-lhes que lhe devolvessem o seu amor cuja vida tinha sido tão cedo ceifada e oferecendo-se até para ficar se este pedido fosse recusado. Acompanhado por gentis notas da sua lira, as doces palavras foram suficientes para comover os senhores do inferno: prometiam-lhe que Eurídice seguiria atrás dele na subida para o mundo terreno, mas Orfeu não poderia olhar para trás para o confirmar, sob pena de a perder.

E ambos retornaram, silenciosamente atravessando o denso nevoeiro. Mas mesmo no limite dos mundos, vencido pelo medo e tentado pelo desejo, o poeta trácio virou-se para provar que a sua esposa o acompanhava de facto. Triste decisão, abriu-se o chão e Eurídice voltara a cair enquanto Orfeu a tentava abraçar desesperadamente. O triste marido ainda tentou regressar ao submundo, mas o barqueiro que faz a travessia do rio recusou-se a deixá-lo atravessar.

Os restantes dias do poeta foram passados a negligenciar a companhia de mulheres. Morreria numa das suas idas ao monte Pangaion, para venerar o Deus-Sol, Apolo, quando foi atacado por um grupo de seguidoras radicais de Baco, talvez invejando-o por ter (de acordo com rumores) atraído os seus maridos com os suaves cânticos, ou então apenas por ter violado o espaço de Dionísio. Inicialmente começaram por lhe atirar pedras e paus que se desviavam com a sua música, decidiram então as Bacantes simplesmente desmembrar o pobre Orfeu, estando já habituadas a fazê-lo a animais. A cabeça decapitada do trácio terá flutuado até à ilha de Lesbos onde um culto em redor da sua figura cresceu, por outro lado, a lira com a qual encantava objetos inanimados (e não só) foi transportada por Zeus para os céus, formando a constelação do mesmo nome.

Bibliografia:
de Rodes, A. (1912). Apollonius Rhodius: Argonautica. (R. Seaton, Trad.) Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press.
Evslin, B., Evslin, D., & Hoopes, N. (1995). The Greek Gods. Nova Iorque: Scholastic US.
Guthrie, W. (1993). Orpheus and Greek Religion: A Study of the Orphic Movement. New Jersey: Princeton University Press.
Ovídio. (1993). The Metamorphoses of Ovid. (A. Mandelbaum, Trad.) Harcourt Brace.
Ovídio. (2014). The Metamorphoses. (A. Kline, Trad.) Createspace Independent Pub.


2020
Pensar que só vamos a meio do que já foi uma autêntica montanha-russa de emoções deixa qualquer um estupefacto. Resumamos os acontecimentos chave que tornaram este semestre tão... movimentado.

Janeiro Jingoísta

A 3 de Janeiro, um drone americano bombardeou o carro onde seguia o comandante das forças especiais iranianas, Qasem Soleimani. As tensões entre os dois países, que remontam já à revolução islâmica de 1979 e subsequente invasão do Iraque, tinham entrado num período crítico desde a chegada ao poder de Donald Trump, com a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear e a imposição de sanções à nação do golfo persa pelo seu contínuo financiamento de ações terroristas. Mas o homicídio de uma figura tão influente, um terrorista por certo, parecia um escalar talvez sem retorno. E enquanto o governo americano defendia o que chamou de “um ataque de prevenção” e o Aiatola garantia retaliação imediata com protestos nas ruas de Teerão (muitos contra o poder estabelecido), o relógio avançava mais 20 segundos, com a meia-noite apenas a 100.

A troca de ameaças continuou com várias bases americanas no Médio Oriente a sofrerem ataques, promessas de destruição de marcos culturais e até o abate de um avião comercial ucraniano sobre solo persa. Mas a “Terceira Guerra Mundial” preconizada nas redes sociais acabaria por ser, se não cancelada, pelo menos adiada com este início atribulado a marcar o compasso para o resto do ano.

https://thebulletin.org/doomsday-clock/current-time
https://edition.cnn.com/2020/01/02/middleeast/baghdad-airport-rockets/index.html
https://www.bbc.com/news/world-middle-east-51018120
https://en.wikipedia.org/wiki/Assassination_of_Qasem_Soleimani#Impact_on_Iranian_protests

Fevereiro sob Fogo

Época dos fogos no quente verão australiano. Em Portugal conhecemos a ação dos eucaliptos na altura de incêndios, não será portanto de impressionar que no seu país de origem a situação não seja muito melhor. De facto todos os anos o continente é fustigado pelas chamas, mas desta vez a dimensão ultrapassou todas as expetativas: Com mais de 10 milhões de hectares em cinza, 3000 habitações destruídas, 33 óbitos e o desaparecimento de quase mil milhões de mamíferos, répteis e pássaros, os danos para a sociedade e ecossistema australianos são incalculáveis. O estado de emergência tinha sido declarado já em Novembro, mas os incêndios, combatidos principalmente por bombeiros voluntários e civis alongaram-se até aos primeiros meses do ano seguinte.

Culpados? Uma série de fatores – as condições meteorológicas históricas, tendo dezembro registado o dia mais quente no país desde que há registo, para além de ter sido o dezembro mais seco e árido de sempre. O calor intenso e as secas, resultado direto das mudanças climáticas, possibilitam a ocorrência de incêndios intensos e incontroláveis. Aliado a esta questão, a ação do primeiro-ministro Scott Morrison é por muitos vista como irresponsável numa altura de tanta necessidade. Desde as suas férias no Havai em plena estação de fogos, à defesa contínua da exploração do carvão, grande poluente atmosférico, a administração da situação tem sido encarada como desastrosa por vários analistas. A estação ardente só viria a acabar em Maio deixando atrás de si um rasto de destruição inimaginável.

https://www.theguardian.com/australia-news/2020/may/25/australias-severe-bushfire-season-was-predicted-and-will-be-repeated-inquiry-told
https://www.washingtonpost.com/climate-environment/as-fires-devastate-australia-a-coal-loving-leader-faces-an-early-test/2020/01/08/a7827ebc-3178-11ea-91fd-82d4e04a3fac_story.html
https://www.sydney.edu.au/news-opinion/news/2020/01/08/australian-bushfires-more-than-one-billion-animals-impacted.html
https://www.theverge.com/2020/1/3/21048891/australia-wildfires-koalas-climate-change-bushfires-deaths-animals-damage
https://en.wikipedia.org/wiki/2019%E2%80%9320_Australian_bushfire_season

Março e o Martírio da Medicina

Tosse, Febre, Cansaço, em apenas 3 meses uma doença passou a dominar as bocas do mundo. Da família dos coronavírus, presentes em muitos animais, o SARS-CoV-2 terá tido origem nos morcegos tendo passado a barreira da espécie e contaminado um “paciente zero”. O primeiro caso da epidemia foi detetado numa movimentada cidade chinesa, de seu nome Wuhan em Dezembro. Pequim esforçou-se numa fase inicial por esconder a gravidade da doença, prendendo médicos envolvidos e escondendo informação mas no fim do mês, com o aumento exponencial de casos, a potência asiática acabou por revelar ao mundo a existência de um surto provocado por um vírus desconhecido. E embora o vírus tenha sido uma constante (embora no plano de fundo) dos dois primeiros meses do ano, o ocidente só se aperceberia da real dimensão da questão com a chegada de Março.

O Carnaval é uma altura bastante popular para férias em Portugal. Aquela possibilidade de ponte e de um fim-de-semana prolongado de recreio convence muitos a sair do país. E com a história da doença apenas como nota de rodapé “dalgo que nunca aconteceria cá” muitos foram os que saíram, especialmente para aquela festa veneziana mágica. Mas na Itália o número de casos ia aumentando em massa, e o risco dos turistas retornarem com muito mais que apenas souvenires ia crescendo. E no dia 2 de Março chegou a notícia inadiável: “Primeiro caso em Portugal”, ia começar. Corrida às máscaras e aos desinfetantes, falta de testes para administrar, recorda-se a Gripe A, ainda existindo a esperança de um controlo rápido e assim, os portugueses rumaram às praias e fugiram para o Algarve. As escolas fechariam no dia 16, 5 dias após a declaração de pandemia por parte da Organização Mundial de Saúde e o primeiro óbito nacional ocorreria nessa mesma segunda-feira. Dois dias depois, o decreto do estado de emergência em Portugal afigurava o pior com as restrições nos movimentos e a suspensão de direitos que tomávamos por garantidos. Abril, sem dúvida, seria singular.

https://www.tsf.pt/portugal/politica/leia-aqui-o-decreto-presidencial-que-declara-o-estado-de-emergencia-11949344.html
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/coronavirus-o-que-e-e-como-comecou_i1203294
https://expresso.pt/sociedade/2020-03-12-Governo-manda-fechar-todas-as-escolas-e-ATL-a-partir-de-segunda-feira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pandemia_de_COVID-19_em_Portugal

Um Abril Aprisionado

O mês da liberdade de sabor agridoce, algo que nem os mais pessimistas poderiam imaginar. Termos como “confinamento” ou “lay-off” chegaram ao vernáculo regular de todos os portugueses à medida que eram repetidos nas cataclísmicas notícias e regulares pontos da situação ao fim da manhã. “Quantos infetados achas que há hoje?” “Parece-te que passamos a barreira dos 10000 amanhã?” – levianamente íamos gozando com uma situação séria como se noutra parte do mundo fosse. As imagens de Itália e Espanha chocavam-nos, mas a rutura dos serviços de saúde era impensável num país como o nosso. E, felizmente, continua a ser. O “Milagre Português” como lhe chamou a imprensa estrangeira que não passou da atempada reação da sociedade e responsável ação dos cidadãos, contrastante com a atitude negligente nas irmãs latinas, afirmou Portugal como um caso de sucesso, mas por quanto tempo?

O limitar das entradas, o encerramento das indústrias e o fecho do pequeno comércio, avizinham uma crise de proporções dramáticas. De facto, Abril foi o mês em que todos nos apercebemos da dimensão da nuvem negra que de repente se formou. A queda acentuada da economia que se aproxima, pior que a Grande Depressão, marcará o início de anos complicados repletos de cortes salariais, desemprego e austeridade (embora o Primeiro-Ministro rejeite esta hipótese).

Para fechar bem o mês, uma polémica! Os festejos do 25 de Abril no parlamento foram muito criticados numa altura em que o país era obrigado a ficar em casa: Que exemplo estariam os representantes da nação a dar ao fazer uma cerimónia destas? Outros apoiavam uma iniciativa limitada, seguindo as precauções da Direção Geral de Saúde, lembrando que a liberdade que o mês veio a representar tem o dever de ser recordada, ainda para mais numa altura de tão pouca esperança como a atual. E os cravos vieram mesmo, o presidente apelou à coesão no seu discurso frente a um parlamento quase vazio e nas varandas cantou-se a Grândola de Zeca. O espírito de Abril vivia nos nossos corações numa altura de pasmaceira e medo do futuro, o que seria de nós?

https://www.spiegel.de/international/europe/portugal-how-lisbon-has-managed-the-corona-crisis-a-b6e3c7ba-a172-4c11-a043-79849ff69def
https://www.publico.pt/2020/04/25/politica/noticia/democracia-nao-suspensa-trabalho-frente-1913918

Maio de (68) Marchas

“Sair do concelho era impossível, a não ser que fosses a uma manifestação sindicalista”. O 1 de maio foi um caso caricato, quase de filme de comédia não fosse a situação tão crítica. Em plena crise pandémica, permitiu-se a celebração do dia do trabalhador na Alameda, organizada pela CGTP. Falou-se muito nos dias que antecederam o acontecimento, mas as imagens daquele 1º dia de mês chocaram qualquer um numa altura como a que se vivia: centenas de pessoas enchiam aquele verde campo, a distâncias de segurança, limitados por quadrados no chão. Mas quanto contacto teria havido para se colocarem em posições? E os autocarros que levaram tanta gente? A irresponsabilidade da central sindical contrastou com as atitudes dos bispos que acordaram, nesta ocasião excecional, que o 13 de Maio teria de se realizar sem crentes em Fátima.

Quando naquele fim de tarde do 25 de Maio um funcionário de uma loja em Minneapolis contactou a polícia após um cliente ter pago com uma nota falsa, jamais poderia conhecer o efeito que esta chamada teria não só na sua cidade e país, como no mundo. George Floyd, o suspeito afro-americano, foi apreendido e algemado no local mas a história continua. Enquanto os agentes o tentavam colocar no carro, Floyd cai de barriga no pavimento. É a partir deste momento em que várias testemunhas começam a gravar, quando o agente Derek Chauvin, coloca o seu joelho sobre o pescoço do suspeito. E embora sejam vários os momentos em que George afirma não conseguir respirar, para além das palavras desesperadas dos transeuntes consternados com a situação, Chauvin manteve a sua articulação pressionada diretamente acima das vias aéreas de Floyd durante 8 minutos. Este que acabaria por perder os sentidos e morrer no hospital.
A indignação a este claro homicídio foi imediata, com as ruas de Minneapolis a encher-se de manifestantes que se opunham tanto à brutalidade policial como ao racismo ainda prevalente numa sociedade dividida. Vários debates, desnecessários num século de iluminação, reacenderam-se, assim como as montras da cidade - muitos usaram os protestos pacíficos como pretexto para vandalizar e saquear estabelecimentos comerciais, com o envolvimento de vários grupos de extremas esquerda e direita. As manifestações espalharam-se para todo o país e foram muitos os que notaram na propensão das forças policiais para recorrer à violência, pelo menos quando comparado com os protestos do mês anterior em que manifestantes anti-confinamento empunhavam armas.

https://www.publico.pt/2020/05/03/politica/noticia/cgtp-repudia-criticas-1-maio-nao-proximidade-habitual-convivio-1914909
https://www.nytimes.com/2020/05/31/us/george-floyd-investigation.html
https://www.axios.com/george-floyd-protests-us-cities-everything-to-know-c9e6de9d-8593-4e52-a87b-317ea7b89038.html
https://www.washingtonpost.com/world/2020/06/01/floyd-protests-us-hypocrisy-china/
https://en.wikipedia.org/wiki/Killing_of_George_Floyd

Junho dos “Justiceiros”

Foi impossível chegar a um único tema claro para um mês tão agitado, assim falamos de três menores que considerámos os mais marcantes

Vandalize-se, decapite-se, atire-se a história ao mar. O debate das estátuas não é raro numa América dividida em dois pelo paralelo 36°30′, com estátuas de generais confederados, herança de uma nação que se revoltou pelo seu direito de manter a escravatura, nas grandes praças em muitos estados do Dixie. Ninguém ficou impressionado quando a nova vaga de protestos trouxe a questão novamente ao palco nacional: serão estas estátuas uma glorificação de um passado racista ou apenas homenagens a pessoas valorosas? E a pergunta alargou-se a outras personalidades: navegadores e governadores, esclavagistas, pelo globo analisava-se o património edificado. Mas, como surgem sempre nas discussões, um grupo extremo decidiu agir retirando à força as esculturas, danificando-as ou demolindo-as, atos de vandalismo e, tantas vezes de idiotice pura de pessoas que se afirmam iluminados da justiça social: por cá a estátua do Padre António Vieira, defensor firme dos direitos dos indígenas, foi grafitada provando que, de facto, António falava apenas para os peixes; no Reino Unido, Churchill era encaixotado para prevenir semelhantes ataques contra o estadista que derrotou a ameaça nazi. O falso-anti-racismo seria uma constante.

Madeleine McCann, aí está um nome que não se ouve há muito tempo. Quer dizer, ocasionalmente surge, geralmente em casos de infanticídio ou rapto como na recente história da Valentina, mas os desenvolvimentos concretos eram escassos… Até agora. A polícia alemã revelou dados sobre a sua investigação do caso. O nome de um suspeito passou a dominar as capas dos tabloides: Christian Brückner, que viveu no Algarve numa autocaravana, preso agora, acusado de tráfico de droga e com um longo cadastro que inclui crimes sexuais (também contra menores), ter-se-à desbocado num bar a um amigo que prontamente o denunciou. As autoridades germânicas acrescentam ainda a existência de indícios, se dúvidas ainda houvesse 13 anos volvidos, que a menina está morta. Será este o fim da investigação? O controverso ex-coordenador da PJ de Portimão por altura do caso, Gonçalo Amaral fala num “bode expiatório”, acreditando que as forças policiais teutónicas apenas estão a tentar colar alguém a um perfil. Pelo menos por agora o mistério da Praia da Luz manter-se-à por resolver.

Ai Ai Lisboa, tenho um beijo p’ra te dar, vem p’ra roda escolha um par, qu’esta noite é cá das nossas. Ai Ai Lisboa, que cheirinho a manjerico! Deve andar no bailarico Santo António a ver as moças.

Nem os santos valeram à maior metrópole do país! Temia-se que o desconfinamento significasse o fim das preocupações gerais e que voltássemos à cepa-torta do aumento exponencial de casos. E parece que esses medos estavam certos, pelo menos em Lisboa. De facto, mais de 80% dos novos casos do último mês concentraram-se na região da capital e do Vale do Tejo. O maior número de testes de despiste nesta região pode ser uma razão, mas não justifica a diferença colossal em casos. O principal culpado serão talvez os transportes públicos apinhados, que tornam impossível manter uma distância de segurança. E no entanto, a final-four da Liga dos Campeões será mesmo em Lisboa, com o primeiro-ministro a anunciá-la como “um prémio para os profissionais de saúde”, ao invés de aumentos salariais como na França. Se não existíssemos, tínhamos de ser inventados.

https://observador.pt/2020/06/11/descolonizacao-estatua-de-padre-antonio-vieira-em-lisboa-foi-vandalizada-com-dizeres/
https://observador.pt/2020/06/17/policia-alema-confirma-ter-provas-concretas-de-que-madeleine-mccann-esta-morta/
https://www.dnoticias.pt/pais/goncalo-amaral-diz-que-alemao-e-bode-expiatorio-no-caso-de-maddie-mccann-KX6451972
https://expresso.pt/coronavirus/2020-06-29-Covid-19.-A-taxa-de-crescimento-de-novos-casos-mais-baixa-dos-ultimos-15-dias-o-surto-no-pais-em-graficos-e-mapas
https://magg.sapo.pt/atualidade/atualidade-nacional/artigos/porque-lisboa-tem-mais-casos-covid

Julhos, Agostos, serão mais os desgostos?

Esperança amigos, esperança, que é o que que falta morrer. A espiral descendente a que este ano nos condenou não parece ter intenção de parar. Com uma crise desastrosa à porta e o risco de uma segunda vaga da doença no final do Verão, só nos resta apenas aproveitar enquanto podemos esta aparente bonança antes da tempestade, na medida do possível e sempre respeitando os cuidados da pandemia.


Entre Quatro Paredes - Crónica de Apartamento

Hoje escrevo-vos acerca da moral. A moral é a nossa base para agir. É a responsável por organizar o mundo através de um acordo entre seres humanos numa comunidade. Moderação, ponderação e justiça são valores que incluímos nas nossas ações de modo a estas serem consideradas morais. Poderíamos pensar que isto é um assunto encerrado. Os nossos pais e/ou responsáveis pela nossa educação já nos dão ferramentas e lições sobre como agir. O que eu proponho hoje é uma reflexão. Uma reflexão não sobre os responsáveis como indivíduos responsáveis na sociedade, mas sim uma reflexão sobre "sorte moral".

À primeira vista, "sorte moral" parece estar relacionado com jogo. Mas estaríamos equivocados. "Sorte moral" refere-se às diferentes circunstâncias em que nos encontramos. Tenho para vós o primeiro cenário:

    Imaginem um homem pobre e um rico. O homem pobre encontra-se numa situação difícil e a única forma que ele encontra para se alimentar é roubando. Por outro lado, o homem rico não precisa trabalhar para se alimentar, pois tem empregados que tratam de todos os aspetos da sua vida. Poderemos colocar estas duas pessoas ao mesmo nível de comparação? Não será o roubo mais justificável para o homem pobre e mais reprovável para o homem rico?

Podemos encontrar um exemplo na nossa vida. Pensemos em Ricardo Salgado e vamos aceitar, para efeitos de melhor compreensão das implicações deste problema, que ele é o culpado das acusações de corrupção. Será o crime de Ricardo Salgado mais reprovável do que o crime do sem-abrigo que roubou comida no hipermercado?

A isto chamamos de sorte circunstancial. No entanto, há mais um exemplo: "sorte de resultado".

    Imaginemos, desta vez, dois condutores. Ambos decidem conduzir de forma não responsável num determinado percurso. No entanto, um deles mata um pedestre e o outro não. A morte é um acidente, não é do interesse de nenhum dos condutores matar alguém com a sua condução. No entanto, podemos dizer que a ação do condutor que tirou a vida a um pedestre é mais reprovável do que a do outro condutor?

De facto, neste caso, um dos condutores poderia apanhar uma simples multa e o outro pena de prisão. Mas, vou dar-vos um outro exemplo:

    O Rodrigo e o Pedro são irmãos e gostam de fazer asneiras. Ambos lembraram-se de atirar pedras contra a parede de casa onde tem uma janela. Um dos aspetos a ter em conta quanto ao vidro é que ele parte, e foi isso que aconteceu. A sétima pedra, a pedra do Pedro acaba por partir a janela. Os pais do Pedro acabaram por colocá-lo de castigo. No entanto, os irmãos fizeram a mesma ação. O castigo deveria ter sido atribuído aos dois ou não?

Estas questões estão abertas e podem ser alvo de debate no RMB. Devo lembrar-vos que não existe consenso quanto a estas perguntas.

O Aparta é um bocado idiota. Por esse motivo, é o primeiro a dizer que existem fontes mais capazes de explicar estas temáticas e também mais fidedignas. Não tomem o que ele diz como certo. Obrigado pela atenção e dêem sugestão de temas para o próximo "Entre quatro paredes". E sim, este nome é inspirado no "Between Two Ferns" com o Zach Galifianakis.

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